O Brasil deu um passo importante para avançar em uma economia de baixo carbono e orientar o direcionamento de investimentos para atividades que contribuem para objetivos climáticos, ambientais e sociais positivos. Nesse contexto, a criação da Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB) , estabelecida pelo Decreto nº 12.705/2025 representa um marco para orientar investimentos e financiamentos públicos e privados, e apoiar a identificação e classificação de atividades econômicas, ativos e projetos que contribuem para os objetivos de sustentabilidade do país.

Mais do que estabelecer uma classificação, a TSB busca criar uma linguagem comum para avaliar atividades a partir de critérios com fundamentos científicos, técnicos e objetivos. Essa iniciativa aproxima o Brasil das principais práticas internacionais de finanças sustentáveis e tende a influenciar cada vez mais decisões de investimento, concessão de crédito e políticas públicas.

Para o setor florestal, esse movimento é especialmente relevante e deve ser acompanhado de perto. A gestão sustentável das florestas desempenha um papel reconhecido na mitigação das mudanças climáticas, na conservação da biodiversidade, na proteção dos recursos hídricos e do solo, na manutenção dos serviços ecossistêmicos e na oferta de matérias-primas renováveis para uma economia de baixo carbono. Esses temas também estão presentes nos sistemas independentes de certificação florestal, que promovem boas práticas de manejo florestal sustentável, rastreabilidade e proteção social ao longo das cadeias produtivas.

Nesse cenário, a certificação PEFC reúne elementos que dialogam com diversos aspectos presentes na agenda da TSB. Os requisitos de manejo florestal sustentável abrangem aspectos ambientais, sociais e econômicos, conciliando a conservação da biodiversidade, o respeito aos direitos dos trabalhadores e das comunidades, o cumprimento da legislação aplicável e a viabilidade econômica. Já a certificação da Cadeia de Custódia estabelece mecanismos de rastreabilidade e controle da matéria-prima desde a origem até o produto final, junto com requisitos sociais aplicáveis, proporcionando transparência e confiança às cadeias de fornecimento. A avaliação por organismos independentes de terceira parte contribui para conferir credibilidade às informações e às declarações relacionadas à certificação.

Na agenda climática, a relação também é relevante. Florestas manejadas de forma sustentável podem contribuir para a manutenção de estoques de carbono, para a produção de materiais renováveis e para o desenvolvimento de cadeias produtivas de menor intensidade de carbono. Ao mesmo tempo, práticas responsáveis de manejo fortalecem a resiliência das florestas frente aos impactos das mudanças climáticas.

É importante, contudo, diferenciar os papéis dos dois instrumentos. A Taxonomia Sustentável Brasileira é um sistema de classificação, que estabelece critérios para identificar atividades, ativos e projetos alinhados a determinados objetivos de sustentabilidade. A certificação PEFC, por sua vez, é um sistema de avaliação da conformidade, no qual organismos independentes de terceira parte verificam o atendimento aos requisitos internacionalmente reconhecidos de manejo florestal sustentável e de Cadeia de Custódia.

Assim, a TSB e a certificação PEFC são instrumentos distintos, mas que podem apresentar importantes pontos de convergência. Transparência, critérios técnicos, evidências verificáveis, rastreabilidade e avaliação independente são elementos que contribuem para aumentar a credibilidade das informações utilizadas por diferentes atores do mercado. À medida que a Taxonomia se consolida como referência para as finanças sustentáveis no Brasil, cresce a importância de mecanismos capazes de fornecer evidências confiáveis e verificáveis sobre as práticas adotadas pelas atividades econômicas e suas cadeias de valor.

O PEFC Brasil acompanha a evolução da Taxonomia Sustentável Brasileira e reconhece a importância do diálogo entre o setor florestal, o mercado financeiro, as empresas e os formuladores de políticas públicas. Fortalecer uma linguagem comum sobre sustentabilidade e ampliar a disponibilidade de informações confiáveis são passos importantes para reconhecer e valorizar o papel das florestas manejadas de forma sustentável na construção de uma economia mais resiliente, competitiva e de baixo carbono.